terça-feira, 1 de junho de 2010

PRIMEIRA FACULDADE - APÓS OS 40 ANOS

Faculdades registram aumento de alunos acima dos 40 anos


Estudar depois dos 40 anos ficou mais fácil. Pessoas nessa faixa etária já somam parte significativa dos alunos nas salas de aula das faculdades de Limeira. A exigência do mercado de trabalho é um dos motivos de essas pessoas buscarem o aperfeiçoamento ou até mesmo realizar um sonho antigo.
Pesquisas mostram que vem aumentando o número de pessoas nessa faixa etária que buscam um curso superior. É o que sugerem os números da Faculdade Anhanguera em Limeira. São cerca de 250 alunos acima dos 40 anos, do total de 1,5 mil estudantes. “A procura aumentou, principalmente, porque hoje as pessoas buscam melhor formação”, diz o diretor Sebastião Pinto de Souza.

“A competição no mercado de trabalho é um dos motivos para o interesse em fazer uma faculdade”, diz o secretário geral do Isca Faculdades, Orivaldo Puzone. Segundo ele, apesar da idade, o mercado ainda absorve esses profissionais, que vão em busca de maior conhecimento e reciclagem. “O profissional deve acompanhar os avanços, senão fica fora do mercado”, afirma. Em contrapartida, existem as pessoas que querem realizar o sonho de fazer a primeira faculdade.
A Faculdade de Administração e Artes de Limeira (Faal) possui cerca de 900 alunos. Deste total, 8% estão na faixa dos 40 anos - cerca de 72 pessoas. Por outro lado, a faculdade também já ofereceu um curso para terceira idade. Uma opção para quem não quer deixar de aprender. “Incentivos ao estudo é o que não falta”, diz Kenia de Souza Silva Lyra, secretária acadêmica e coordenadora do curso da melhor idade da Faal. “Temos projetos de oferecer mais cursos para atender a esse mercado promissor”, observa Reinaldo Fernandes, diretor financeiro da Faal.

As universidades, hoje, estão preparadas para receber qualquer tipo de aluno. “Educação não tem idade”, diz a professora Norma Sandra de Almeida Ferreira, coordenadora associada do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da Unicamp. Segundo ela, voltar a estudar aos 40 anos é uma satisfação, não só para o aluno, mas para os educadores. “Num país como o Brasil, cujo acesso ao estudo e livros é difícil, saber que uma pessoa com essa idade volta a estudar é gratificante”, comenta. As mudanças do mercado de trabalho, além das exigências, são fatores significantes. Com relação ao aprendizado, não existem dificuldades. “Não acho que há perda da habilidade cognitiva, de aprendizagem, com o passar dos anos. Pelo contrário, a maturidade traz a experiência”, comenta. O acesso à informação é mais fácil, o que faz com que as pessoas não fiquem defasadas. “Para voltar a estudar, basta querer”, conclui. (VO)

Alunos mostram que nunca é tarde para aprender

Aos 57 anos, Clara Maria Pimenta da Silveira, está no terceiro ano de Ciências Econômicas, no Isca. Ela conta que, na sua turma, a maioria é jovem, mas não sente diferença por ser mais velha. “A aceitação é muito boa. Não há discriminação de idade quando o assunto é aprender”, salienta. Clara cursou Ciências Contábeis na Universidade de São Paulo (USP), na década de 80, mas não terminou. Hoje, por incentivo da empresa e vontade de estudar, resolveu concluir o curso superior. “Sempre gostei de estudar e não vou parar nunca”, diz.

“Estudar ajudou-me a superar a depressão”, diz aluna de 56 anos

Cecília Dirce Zavarize está no terceiro ano de Artes Visuais. Uma mulher que, aos 56 anos, resolveu realizar um sonho. Voltar aos estudos e fazer um curso superior. Ela conta que, pelos obstáculos da vida, não teve oportunidade de estudar. “Problemas de saúde, financeiro e o próprio casamento me impediram de estudar”, relembra. Mas, através do esforço e vontade, hoje ela é uma universitária e ainda dá aulas. Cecília conta que passou por uma depressão e foi, através dos estudos, que conseguiu superar a doença. “A faculdade é a minha vida. Dedico-me aos estudos e não quero parar mais”, revela. (VO)

Profissionais retomam estudo em busca de aperfeiçoamento

Reginelena Pinto Ramalho, 56 anos, cursa Artes Visuais. Ela conta que, depois de formar os filhos, agora é a sua vez de se dedicar aos estudos. “Com os filhos encaminhados e pela minha profissão, resolvi fazer uma faculdade para me aperfeiçoar”, diz.



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